“Virgem Maria”? Quase 1% das moças nos EUA dizem ter engravidado sem sexo

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Pesquisa evidencia dificuldades que cientistas muitas vezes enfrentam quando precisam interpretar informações durante estudos envolvendo temas potencialmente delicados

De acordo com um estudo publicado pelo British Medical Journal, quase 1% das mulheres nos EUA afirmam ter engravidado enquanto ainda eram virgens. A pesquisa foi realizada com 7.870 jovens entre as idades de 15 a 28 anos de todo o país e, segundo a Reuters, desse total 5.340 engravidaram.

Segundo a matéria, entre as 5.340 mulheres que participaram do estudo e que ficaram grávidas, 45 delas — ou seja, 0,8% — disseram ter concebido enquanto ainda eram virgens e sem terem relações com um homem. Além disso, esse número não incluiu fertilizações in vitro ou qualquer outro procedimento médico ou tecnologia de reprodução assistida.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, que analisaram dados coletados junto a milhares de adolescentes. No início dos trabalhos, as garotas tinham entre 12 e 18 anos de idade, e foram entrevistadas periodicamente sobre questões relacionadas à saúde e ao comportamento ao longo de 14 anos.

Concepção imaculada

Das 45 moças que afirmaram ter engravidado enquanto ainda eram virgens, 31% disse ter assinado algum tipo de compromisso de castidade — no qual prometeram não fazer sexo antes do casamento —, e os pesquisadores ouviram diversas explicações sobre como elas teriam concebido. No entanto, algumas chegaram a admitir certa participação de rapazes no processo.

Os pesquisadores também descobriram que 28% dos pais — que também foram ouvidos no estudo — das “virgens Marias” não costumavam conversar com as filhas sobre temas relacionados à sexualidade ou a métodos anticonceptivos por falta de conhecimento. Outro aspecto descoberto durante a pesquisa foi que as moças eram mais propensas a ter filhos do sexo masculino, e que muitas engravidaram nas semanas que antecedem o Natal.

Evidentemente, a “concepção imaculada” é cientificamente impossível, e as alegações de que esse tipo de gravidez tenha ocorrido servem para provar aos pesquisadores a dificuldade se interpretar dados quando os estudos envolvem temas potencialmente delicados, como sexualidade, religião e comportamento.