Rafinha-Bastos-Grade

A matéria não foi escrita por mim, mas eu compartilho das ideias do autor.

matéria transcrita (original é de Henrique Brinco para o site RD1 do IG)

EXTRA! EXTRA! RAFINHA BASTOS VAI VOLTAR A SER DETONADO NA MÍDIA!

O que é o politicamente correto? Quais são os limites do humor? As duas questões entraram em pauta novamente com a volta do polêmico humorista Rafinha Bastos para a telinha da TV Bandeirantes, dois anos após ser dispensado devido a uma piada envolvendo a cantora Wanessa. Nesse tempo, a contragosto de muita gente, ele foi requisitado por diversas outras empresas e atualmente comanda um reality show exclusivo intitulado ‘A Vida de Rafinha Bastos’ no canal FX. Não ficou sem emprego, como muitos desejaram.

Como já foi informado no RD1, em sua antiga casa, Rafinha voltará a exercer uma de suas antigas funções e integrará o time de apresentadores de ‘A Liga’. Ele já gravou material para a atração e sua estreia acontecerá nas próximas semanas. “Não quero seu dinheiro. Não estou preocupado com o que as pessoas dirão. Gosto de você e quero tentar de novo”, disse o humorista em um vídeo divulgado no YouTube, mostrando uma conversa inusitada entre ele e o logotipo da Band.

Para quem não se lembra, o imbróglio entre Rafinha e Wanessa teve início em setembro de 2011, quando o humorista, ainda na bancada do ‘CQC – Custe o Que Custar’, declarou que “comeria ela e o bebê”, comentando a gravidez da cantora. O humorista foi suspenso e, em seguida, pediu para sair da atração. Depois, foi processado e inocentado pelos desembargadores da 13ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegaram a conclusão que o filho dela não foi vítima de injúria por parte do humorista.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em junho de 2012, Rafinha alfinetou: “É evidente que estamos vivendo um momento muito bundão. É impressionante o número de jovens reacionários que encontro. Muito do que a ‘TV Pirata’, que o Chico Anysio e até que ‘Os Trapalhões’ faziam, hoje seria considerado de extremo mau gosto”. Já em outra entrevista, desta vez ao ‘Roda Viva’, ele foi mais incisivo e relembrou casos de piadas supostamente racistas contadas por Didi e Mussum em antigas produções – ressaltando também que elas não geravam polêmicas na época.

O fato é que a imprensa (principalmente a de Internet) lucrou bastante com as polêmicas de Rafinha Bastos. Cada frase, cada piada e cada escândalo protagonizado por ele era massantemente reproduzido pela mídia eletrônica – garantindo, assim, altos índices de audiência e publicidade para as empresas de comunicação. O conservadorismo hipócrita tomou conta dos jornalistas e a sociedade caiu no senso comum de que ele deveria ser crucificado e expurgado definitivamente da televisão.

Na época outro integrante do ‘CQC’, Marcelo Tas, em entrevista aqui mesmo no IG, definiu bem qual é o limite do humor. “O limite do humor é a graça, é ser engraçado. O politicamente correto é uma peste que veio para infernizar a vida dos seres humanos, sou totalmente contra. Acho um nojo ter que falar ‘afro-brasileiro’ em vez de negro. Não poder fazer piada para judeu? O humor tem que ser engraçado”, opinou. E eu, humildemente, ainda vou mais além: nas comunicações, quem deve ser politicamente correto é apenas o jornalista, e não humorista. A função do humorista é fazer rir e só.

Outro dia, no meu Facebook, quando estava discutindo sobre aquele caso envolvendo a mão boba do Gerald Thomas na “periquita” da Nicole Bahls, me perguntaram se continuaria defendendo os humoristas caso a piada me atingisse ou atingisse um outro homossexual. Respondi que sim. E defenderia mesmo. Para consumir humor, é preciso estar aberto a todo tipo de brincadeira. Não gosta de piada? Não conceda entrevistas a programas do gênero e/ou mude de canal. É simples!

É preciso ressaltar que a graça está justamente na irritação do outro. Na minha adolescência, assim como muitos garotos como eu, sofri com o bullying (essa expressão nem existia na época). Hoje, falo abertamente sobre isso porque é algo já totalmente superado. Aliás, hoje, quando tentam me ofender ou me diminuir, mando logo um “Sou mesmo! E daí?”. Ou então, revido com outra frase ainda mais baixa. A piada perde a graça quando você ri junto. E é assim que deve ser. É preciso entrar no espírito da coisa. O ser humano é gozador (ui!) por natureza e não vai ser a patrulha politicamente correta que vai mudar isso.

Na Band, Rafinha certamente deve voltar mais afiado do que nunca, estampando manchetes e envolvido em novas polêmicas. É preciso estar preparado para separar o que é notícia é o que é oportunismo dos jornalistas. Rafinha é um dos mais geniais humoristas que o Brasil já viu e é preciso ter um mínimo de inteligência e discernimento para entender as suas piadas. O utópico “humor do bem” é um fracasso. Se não aceitarmos Rafinha, ficaremos sempre reféns do humor ‘Zorra Total’ na televisão.

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