Padre que teria virado lobisomem em Santana fecha capela e impede festa

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O jovem padre Adalmiran Silva de Vasconcelos encontra-se envolvido em nova polêmica no Cariri. Após os boatos espalhados em outubro de 2011 de que o sacerdote virava lobisomem em Santana do Cariri, o conflito agora se dá em relação à festa de Santo Antonio no Distrito de Cariutaba no município de Farias Brito. Antes, proibiu a festa do Pré-Pau em Santana e, agora, adotou posição contrária ao corte e carregamento do pau da bandeira nos festejos a Santo Antonio na zona rural de Farias Brito.

A decisão contrariou os moradores da localidade que fica a uma distância de 18 Km para o centro da cidade. Principalmente, diante do fechamento da capela com cadeado. As orações dos fiéis ao santo casamenteiro estão acontecendo, mas na praça do lado de fora. No último sábado, o sacerdote teria recorrido aos serviços da polícia para impedir o cortejo do pau e até solicitado ao IBAMA a identificação de quem teria cortado o mesmo num acinte contra o meio ambiente.

O pau que serviria de sustentação para a bandeira foi deixado perto da capela e o padre Adalmiran teria mandado cortar encerrando uma tradição que remonta ao século IX. A bandeira foi posta na torre do templo e o sacerdote diz que as medidas foram tomadas em consenso para evitar o consumo exagerado de bebidas e de drogas, além do desmatamento da região. Quanto ao fechamento das portas da capela, ele justificou que o fez por medida de segurança. Os moradores estão revoltados.

O padre Adalmiran assumiu o comando da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Farias Brito no dia 29 de outubro de 2011 ou quase um ano após as polêmicas em Santana do Cariri. Em julho de 2010, surgiu um boato naquela cidade que o sacerdote estava “virando lobisomem”. A informação foi desfeita com a identificação de um grupo de jovens que estava ocupando, durante a madrugada, o Centro Paroquial para fazer medo ao padre, em represália por ter impedido a festa do “pré pau”.

Normalmente, o cortejo com trios elétricos e blocos antecede ao carregamento do pau da bandeira na abertura da festa de Nossa Senhora Santana naquele município, cujo evento cultural foi considerado profano pelo padre. Na época, a decisão do sacerdote teve o aval do prefeito e do Ministério Público com a intenção de “dar um sentido mais cristão à celebração da festa da padroeira”. De acordo com o padre Adalmiran, estavam sendo desvirtuados e se transformado em um “verdadeiro carnaval fora de época”.

O sacerdote não gostava de ver, por exemplo, as pessoas desfilando em blocos usando camisetas “com mensagens indecorosas” como: “Tem um corno me olhando”, “bloco dos biriteiros”, etc, segundo ele incentivando o consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, veio a idéia de um Termo de Ajustamento de Conduta, limitando os excessos da festa profana. Com isso, um grupo de jovens espalhou a notícia que o padre virava lobisomen. Na madrugada de sábado, eles se escondiam no Centro Paroquial e ficavam uivando para fazer medo ao sacerdote e os populares que ouviam passaram a acreditar.

Já em setembro do ano passado, o padre Adalmiran dirigiu apelos aos fiéis da Vila Padre Cícero na Serra do Quincuncá no município de Farias Brito para não soltarem fogos por ocasião das celebrações da missa em sufrágio da alma do Padre Cícero. Segundo ele, fagulhas teriam causado um incêndio que destruiu cerca de 10 km da serra quando a vegetação, aves e animais silvestres pagaram com suas vidas pela devastação. Na época, o sacerdote usou seu facebook para denunciar a situação, cobrar ação do Corpo de Bombeiros e implorar o fim da soltura de fogos na área.

 

fonte: Site Miséria

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