Séries e TV

Demolidor – 1ª Temporada [Crítica] Muito mais do que uma série de pancadaria

Já faz muito tempo que quero voltar a escrever criticas, mas nunca aparecia algo que realmente me inspirasse, algo que me fizesse parar na frente do computador e expor minha opinião sobre uma produção sem medo das respostas que poderia ter, ou seja, faltava algo que eu acreditasse merecer comentários e observações.

Mas sem dúvidas esse problema foi solucionado, a série “Marvel – Demolidor” lançada na última sexta-feira é simplesmente o que eu precisava para me reanimar à acompanhar séries e também para começar a escrever sobre as mesmas aqui no Diário.

Também foi a série que me fez voltar a assinar a Netflix e assistir a temporada inteira quase sem interrupção. E não fui o único, com certeza o serviço de streaming ganhou muitos novos assinantes além da volta de alguns antigos com a estreia da série que conseguiu apagar da minha mente a imagem daquele filme horrível com Ben Affleck sobre o combatente cego.

Para começar tenho que dizer que acho incrível o rumo que as produções voltadas para internet tem tomado, isso unido ao bom momento em que se encontram as HQs nos filmes e séries.

Agora vamos enfim falar da série em si, pra começar acho meio redundante para uma critica, mas vale dizer, pode acabar contendo spoilers.

A série trata de um homem que na infância perde a visão, filho de um boxeador ele herdou a resistência do pai que era boxeador (e olha que ele apanha bastante).  Já a parte de bater ele aprendeu com um mestre que o ensina entre outras coisas como transformar sua falta de visão em uma vantagem ao aprimorar os outros sentidos, além de artes marciais.

A série é muito bem feita, roteiro, direção edição… E soube como poucas, amarrar tão bem suas referências que falam de muitos personagens das próximas séries que serão produzidas pela parceria da Marvel com Netflix bem comoo universo cinematográfico da Marvel, o mesmo em que se passam os filmes dos Vingadores.

Mas não vou ficar aqui resumindo a série, nem tão pouco explicando quem é o personagem, a série é muito mais que isso.

A produção que foi lançada já com toda a 1ª temporada disponível, trata na verdade de como a sociedade é corruptível e principalmente de como é difícil melhora-la.

 

Uma série de pessoas tentando melhorar a sociedade de 5 formas

 

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o protagonista luta nas ruas e também nos tribunais

Vemos Matt Murdock (o Demolidor) e seu sócio Foggy Nelson tentando melhorar o mundo nas formas da lei com sua firma de advocacia (Nelson & Murdock), onde também contam com sua secretária Karen Page. Eles exercem a advocacia com responsabilidade, fazendo tudo da forma mais ética possível, porém seguem a lei como ela realmente é, incluindo suas falhas, o que faz com que eles possam libertar criminosos que eles sabem que são culpados.

 

 

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um jornalista que luta contra tudo para mostrar a verdade

A imprensa é reapresentada pelo jornalista Ben Urich, que realmente faz seu trabalho, e tenta expor o que precisa ser exposto, mesmo existindo manipulação na mídia por parte dos poderosos. O personagem chega a fazer criticas sobre várias mídias, como a impressa, a tv e até a internet, mas dando no fim créditos a toda forma de jornalismo quando feito em prol da verdade. E a critica feita usando o personagem não se limita à quem cria o conteúdo, mas em uma cena incrível ele destaca a sociedade que busca informações tolas e fúteis ao invés de quererem ver a verdade sobre o mundo que os afetam.

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o sargento é um dos poucos policiais honestos em uma policia corrupta

A polícia também aparece como forma de ir contra o sistema sujo que controla o universo apresentado na série. Mesmo a série mostrando os policiais quase sempre como empregados do crime, alguns poucos aparecem para demonstrar que ainda existem os honestos, a maior representação é sem dúvidas o sargento Marrone  que ajuda tanto a equipe que tenta desmascarar todo o sistema pelas formas da lei, quanto também o mascarado.

 

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Demolidor com o uniforme inicial que é mais legal que o oficial

Claro que não iria deixar de falar do próprio Demolidor, que é um justiceiro que tenta limpar a cidade com uma certa dose de pancadaria, mas nunca com a intenção de matar. Que mesmo seu “dom” que permite enxergar o mundo mesmo sem a visão, e sua ótima técnica em batalha não possui nenhum super poder ou equipamentos caros que o ajudem a combater o mal. Ele realmente se fere, e não está milagrosamente curado na próxima cena, seus atos e escolham tem realmente consequências.

 

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Fisk, é um exemplo de que intenção não é tudo

E por último tem um que alguns podem não ter notado, mas o próprio senhor Wilson Fisk (sim, o Rei do Crime), ele não é um homem que simplesmente que dinheiro ou tem prazer em fazer mal, a série mostra um homem que quer realmente melhorar a cidade que mora, mas seus meios que normalmente utilizam força bruta e violência não são o que normalmente bem visto, ele faz as coisas pelo lado da força (o Demolidor também, só que batem em pessoas diferentes), e sua maior diferença com o protagonista é que ele não se importa tanto se precisar matar ou em como ganha o dinheiro à ser gasto para as melhorias da cidade. Claro que com o desenrolar da história ele passa à acreditar que a sociedade não merece o bem que ele quer propiciar, e ai sim surge o verdadeiro Rei do Crime.

Os 13 episódios da série estão disponíveis no serviço de streaming desde 10 de abril. O projeto é o primeiro da Marvel produzido pela Netflix, que será ambientada no mesmo universo estabelecido no cinema. Além de Demolidor, Jessica JonesPunho de Ferro e Luke Cage também ganharão séries com 13 episódios para cada personagem. Também foi confirmada uma minissérie em oito episódios intitulada Os Defensores, que irá reunir os quatro heróis.